Empregabilidade e o papel dos escritórios de carreira no Ensino Superior

Natália Collor

Texto por Cláudia Sampaio, orientadora de carreira e pesquisadora na área

Em meu trabalho como orientadora de carreira em universidade percebo a ansiedade crescente dos alunos. Eles têm receio de investirem muito tempo e esforço na sua formação sem saber se terão como recompensa uma boa inserção profissional. A ansiedade tem sentido, já que os altos índices de desemprego e a precariedade no trabalho é uma realidade. São 12,7 milhões de brasileiros desempregados, segundo pesquisa recente do IBGE. Um terço dos egressos do ensino superior estão desempregados, de acordo com levantamento do SEMESP.

Ter uma formação universitária continua sendo um diferencial na busca de melhores condições de trabalho e remuneração. Felizmente observamos um aumento nos últimos anos do número de estudantes do Ensino Superior no Brasil. Ainda assim conseguir um diploma não tem se mostrado suficiente para garantir a empregabilidade. Este cenário torna necessária uma ampla reflexão e revisão dos modelos de formação e inserção profissional.

Em resumo, empregabilidade é mais do que ter um emprego. É ser capaz de produzir oportunidades de trabalho ao longo da vida. Mas não necessariamente empregos formais, por isso se tem usado também o termo trabalhabilidade. Além disso, a empregabilidade tem a ver com aumentar as chances de sucesso objetivo e subjetivo, isto é, de gerar sustento, contribuição social e satisfação de vida.

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Marcadores subjetivos

Em geral as pesquisas enfatizam os indicadores objetivos – se as pessoas estão ou não empregadas, se trabalham na área de formação, quanto ganham. Esses parâmetros certamente são relevantes, mas falamos pouco sobre os marcadores subjetivos de sucesso. E, mais do que isso, sobre a relação que existe entre o sucesso objetivo e subjetivo.

Alguns indicadores de sucesso subjetivo, como a capacidade de refletir sobre si mesmo, de dar sentido à própria vida, de se conectar afetivamente com o trabalho aumentam a probabilidade de que a pessoa consiga se destacar no ambiente ocupacional e contribuir para a sociedade. As pesquisas mostram que pessoas que percebem propósito no trabalho são mais produtivas e cooperativas, obtendo maior empregabilidade.

A empregabilidade é um processo complexo e multifatorial. Ela depende, não apenas, de competências para gerir a própria carreira. Infelizmente as instituições de ensino no Brasil ainda estão dando passos iniciais para facilitar que as pessoas desenvolvam essas competências. Essa é uma realidade do ensino fundamental ao superior. O ensino ainda é, na maior parte das instituições, linear, focado em conteúdo previsível e segmentado. O mundo que os egressos do ensino superior estão encontrando é, em grande parte das vezes, não linear, complexo, focado em competências (especialmente as socioemocionais), imprevisível e interconectado.

Essa distância entre o modelo educacional do século passado e o mundo do trabalho da era digital tem gerado muita discussão. No entanto, é bom perceber que diversas IES estão revendo seus currículos e investindo em serviços de carreira. Assim, buscam facilitar o processo de formação dos alunos. É um desafio mudar este paradigma, por outro lado, as experiências mostram o potencial de iniciativas inovadoras para contribuir no desenvolvimento dos estudantes.

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O que são escritórios de carreira?

Os escritórios de carreira têm o papel de facilitar a ponte entre a universidade e o mercado de trabalho. A função é estimular que os estudantes desenvolvam competências para gerirem suas carreiras e vidas. Isto para que desenvolvam a capacidade de refletir sobre si mesmos e as necessidades sociais. Assim podem criar soluções de forma crítica, criativa e cooperativa.

A função dos escritórios de carreira é a de serem facilitadores. Seja para que professores e outros profissionais realizem atividades de aproximação com o mercado de trabalho ou ajudem alunos a desenvolver habilidades. São elas: flexibilidade, autonomia, empatia, criatividade e resolução de problemas, responsabilidade, comunicação interpessoal, entre outras. Essas competências são extremamente valorizadas e a tendência é que sejam ainda mais para os profissionais no futuro. Isso acontece, já que grande parte das atividades de trabalho operacionais são cada vez mais substituídas pelas tecnologias da informação e inteligência artificial.

O tema empregabilidade deve envolver todos na IES e não ficar centrado em uma área ou setor. Os escritórios de carreira devem ter uma função estratégica. Devem auxiliar a gestão da IES a modernizar currículos e práticas com base em um diálogo com o mercado de trabalho. Também com as necessidades sociais, Neste processo, o ideal é engajar professores, staff, alunos e egressos.

O percurso de formação no ensino superior é um período propício para o amadurecimento dos estudantes. Para esse crescimento, todas as experiências e relações contam muito. Isto engloba sala de aula, estágios, pesquisas, monitorias, congressos, mentorias, orientações de carreira. Tais experiências favorecem o desenvolvimento de competências de adaptabilidade de carreira para lidar com a transição ao mercado de trabalho.

No meu trabalho com universitários procuro sempre apoiar e estimular para que construam as suas perguntas e respostas. Quero que aprendam a enfrentar os desafios com mais otimismo e sabendo o que precisam fazer para tomar as decisões. Que possam refletir sobre si mesmos e o mundo, dialogar, pesquisar, experimentar de forma aberta e depois avaliar. O retorno tem sido muito gratificante. Percebo a capacidade desse público de aprender constantemente, de fazer movimentos fundamentais para a própria satisfação e sentido de vida. Acredito que essa seja a estratégia mais eficiente para promover a empregabilidade. É apostando na formação de pessoas curiosas, reflexivas, ativas, cooperativas e responsáveis pelas suas vidas.

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